sábado, 30 de março de 2013

A História de Roberta e Diego 1ª Fase

Capítulo 5
A cena dentro de você
O sorriso de Diego denuncia a simpatia. A ligação não demora mais que alguns minutos, mas com certeza guarda mais coisas do que se imagina.
-Como? ...Nossa, mas isso é ótimo! -Ele fica entusiasmado. - Certo, certo... Então a gente se vê! Beijo.
Diego desliga o telefone e mira Roberta. A rebelde ergue as sobrancelhas.
-Marina?
-É, eu conheci nas férias. -Ele segura as mãos dela e balança os braços. -Ela vai estudar com a gente!
 Roberta faz um meio sorriso, como se não se importasse. Porém dá a impressão de querer mais explicações.
-Nossos pais são sócios, e como temos a mesma idade, na hora daquelas conversas chatas de adulto, a gente sobrava, então...
-...resumindo ficaram amigos.
-Isso. -Eles se olham. -Agora chega de papo e me dá um beijo.
 Ele a puxa sem que Roberta ofereça resistência.
-Ah, Diego eu preciso te contar uma coisa!
-Coisa séria?
-Não sei.
-Como assim?
-Vem comigo que eu te explico.
 Roberta leva Diego a um lugar ainda mais afastado naquela praia, e meio que escondidos atrás de uma pedra, ela põe em pratos limpos um certo acontecimento que a intrigava.

 Neste mesmo instante uma outra conversa, um pouco mais agitada está em andamento. Eva e Franco não conseguem entrar em acordo. A cantora se recusa a ficar de cama e faz um tremendo alvoroço.
-Nada nunca impede Eva Messi de se apresentar aos fãs!! -Ela roda de um lado e outro.
-Eva, você sabe muito bem que não pode arriscar.
-Mas eu tô bem bebê... -Ela amolece.
-Você sabe que não é só isso, a gente conseguiu despistar as meninas sobre o ocorrido no show mas você sabe que as notícias correm, é questão de tempo até que todos saibam.
-Desculpe interromper. -Dani surge da cozinha. -Tem algo que vocês precisam ver.
-Tem que ser agora Dani? A gente tá no meio de uma conversa! -Franco não tem paciência
-Bom, é que o segurança que contrataram está lá nos fundos.
-E porque ele não entra?
-Mas onde estão as meninas? -Franco corta Eva. Logo os dois começam a se preocupar.
-É melhor vocês verem porque... -Dani desaba a rir.
-Que isso Dani? -Eva ri junto.
 Ela faz sinal aos patrões para que a acompanhem, porque voz mesmo, nem sai mais.
 Os dois a seguem, mas ficam completamente perdidos, sem entender nada!

 Na praia, em plena tarde, uns dedos brincam em outras mãos. Deslizam com delicadeza as pontinhas na palma da mão dele, que ainda se mostra tenso com o que ouviu.
-Eu não sei se eu vou conseguir me controlar Roberta.
-Você vai se controlar. Além do mais eu acho que não foi ele.
-Mas se não foi ele quem foi?
-Eu não sei... -Talvez seja só uma brincadeira de mal gosto. -Roberta recosta no ombro de Diego. -Não é a cara do Binho mandar carta anônima com algo tão idiota como "Vou te pegar"...
-Verdade. Tava em cima da sua cama? -Ele a traz mais perto num abraço.
-Tava... Na hora eu fiquei furiosa, fui lá e joguei o Binho na parede, mas os meninos me confirmaram que ele tinha acabado de chegar.
-Que estranho...
Diego olha ao longe. O céu já está laranja e começa a esfriar o ar. Ele a aperta ainda mais forte.
-Que foi Diego? -Ela sente um respirar mais forte vindo de seu peito.
-Não quero que nada atrapalhe a gente outra vez.
-Nada vai atrapalhar a gente. -Ela sorri tentando lhe transmitir calma. Diego retribui o sorriso e começa com um carinho leve, sentindo o rosto dela dentro das mãos. Ela está muito perto a olhar para ele. Todo o mundo parou. Nem o vento parece levar mais os cabelos, nem a areia vinha mais a incomodar a pele.
 A eles parece que até as ondas do mar deixam de se quebrar fortemente, sempre destruindo o silêncio...
 Tudo que ouviam eram um som aquecido saindo do outro. Um som de vida que baixinho saía da boca ao se aproximar. Num tom de abrigo, de certeza, de força... De respiração.
 Não era preciso dizer nada. Nem foi dito realmente. Eles sabiam tudo que podia atrapalhar e que já havia atrapalhado. Cada intriga, cada problema, cada diferença ou desentendimento. Mas naquele instante eles não escolheram o medo nem a incerteza.
 Eles tinham o mar e a noite em plena quietude. Tinham um mundo gritando à sua volta e problemas caindo sobre cada passo que davam. Mas o que importava? Eles tinham todo o cenário da natureza ao seu redor, e tinham no beijo a transmissão de uma força que não se compreendia, e que nem necessitava compreensão.
 A cena era de encher os olhos, mas eles nem estavam vendo. Apesar de toda beleza do momento, eles preferiram fechar os olhos a tudo que os cercava, buscando no outro um novo motivo pra ficar ali mais alguns minutos, talvez fora da realidade. Ali parados enquanto o mundo girava. Só o sentidos trabalham captando os pensamentos que a gente não decifra quando pensa, mas sente. E isso vai lhes dando um novo sentido e uma nova continuação.
 As mãos se dão ao levantar. A areia cai fina das roupas quando começam a caminhar. Sabem das loucuras que os espera em alguns lugares, e uma ou outra bronca ainda a contornar.  E mesmo que a vontade seja de apagar tudo que pode atrapalha-lhos, vê-se que o beijo difícil e caro ainda é o mais vendido.
 "Corram que o tempo não para" -diz o mais realista dos sonhos...


A porta se abre e dois pares de olhos zangados as olham.
-Que foi gente? -Roberta não mostra medo.
-Ah pai, a gente nem demorou tanto assim... -Alice finge não saber o porquê do sermão que vem em seguida.
-Eu não acredito no que vocês fizeram! O pobre homem chegou aqui todo ensopado, sujo de areia... -Franco detalha. -Ele disse que vocês brincaram com a cara dele, encenaram um afogamento e fugiram!
-Imagina! -Roberta ironiza ao falar. -A gente nunca que ia fazer isso. Eu tava me afogando mesmo...
-Sério filha?
-Claro que não né Eva! -Franco se zanga. -Agora ele pediu demissão.
 Alice e Roberta sorriem uma para a outra em cumplicidade.
-Mas vocês terão um novo segurança. Ele já estava de sobre aviso, caso esse não desse conta. Com o outro vocês brincaram, mas com esse não vão conseguir o mesmo.
 As meninas não acreditam no que estão ouvindo.
-Sério que vocês vão continuar com essa palhaçada?
-Não é palhaçada nenhuma Roberta! -Eva apóia o marido.
-Mas mãe, a gente nunca usou disso! Sempre fomos livres!
-Mas agora é diferente.
-Diferente porque? O que tá acontecendo pra gente precisar de proteção? Fala mãe! -Roberta vai chegando e pressiona a mãe. Eva não vê saída e acaba contando.
-É diferente porque nós recebemos uma ameaça.

Nenhum comentário:

Postar um comentário